Família Farias

Armas :
De vermelho, com uma torre de prata, aberta e iluminada de negro,
acompanhada de cinco flores-de-lis de prata, três em chefe e uma em cada flanco.

Timbre :
A torre do escudo, rematada por uma das flores-de-lis.



Família das mais antigas de Portugal, sabendo-se que já no tempo de D. Afonso Henriques vivia João de Faria, pai do beato D. Godinho, arcebispo de Braga por morte de D. João Peculiar. Aparece depois, no reinado de D. Afonso III, um Frei João de Faria, clérigo de el-rei e seu conselheiro, da Ordem dos Pregadores, que em 127 % assistiu à audiên-cia concedida por aquele príncipe ao núncio do Papa João XXI. Este Frei João era irmão ou filho de D. Teresa Martins, viúva de Pedro Martins da Infanta, a quem o arcediago de Braga, D. Pedro Viegas, comprou a 13 das Calendas de Março do ano de 1305, o censo de cinco maravedis, pago pelas herdade da Ermida de S. Paio, no julgado de Vermoim.

Nas Inquirições de D. Afonso III, tiradas no ano de 1258, figura Gonçalo Gomes de Faria e nas de D. Dinis. do ano de 1288, se fala em Lourenço de Faria, senhor da Quintã de Onega do Paço, que então era de D. Estêvão Peres de Rates, agente de D. Afonso III e clérigo de D. Dinis, que parece ser da linhagem dos Farias. Em 1360, no instrumento de comprovação do matrimónio de D. Pedro I com D. Inês de Castro, menciona-se Garcia Martins de Faria, cavaleiro.

Nas Inquirições de D. Dinis também figura um Vicente Gonçalves, que tinha pro-priedade honrada na freguesia de Santa Maria de Faria Antiga, a qual, na ocasião em que os inquisidores aí foram, era de D. Estêvão Peres de Rates. Este D. Vicente Gon-çalves, como tambêm aparece nomeado, posto que não se lhe dê apelido nas Inquirições, devia pertencer à linhagem dos Farias, pois D. Estêvão Peres de Rates herdou a pro-priedade dele e de Lourenço de Faria, que passou aos Farias Machados, morgados da Bagoeira e serihores da Casa das Hortas.

Entre todos os membros da linhagem, o mais conhecido é Nuno Gonçalves de Faria, alcaide do castelo de Faria, que, em troca da própria vida, salvou este de cair nas mãos dos Castelhanos, que o sitiaram no ano de 1373. Os poetas, os prosadores, os drama-turgos e os artistas plásticos aproveitaram o heróico feito para comporem trabalhos, em que se exalta o nacionalismo de tão nobre acto.

Quem era Nuno Gonçalves, não se sabe ao certo. Dizem alguns autores que seu pai se chamou Gonçalo Fernandes de Faria e o avô Fernão Pires de Faria, coevo de D. Afonso III. Até o presente não se pôde comprovar esta ascendência. Parece que teve um irmão chamado Álvaro Fernandes, escudeiro, que serviu de testemunha em certo processo do ano de 1362. Foram seus contemporâneos Martim Gonçalves de Faria e Álvaro Garcia de Faria, que o Rei armou cavaleiros antes de entrarem na batalha de Alju-barrota, o segundo dos quais se menciona entre os setenta e dois fidalgos que aclamaram Rei D. João, Mestre de Avis. Na Crónica de D. João I se refere, entre as pessoas notá-veis de Loulé e Silves que acompanharam Nun'Álvares nos seus feitos de armas, Lopo Esteves de Faria. Sendo ainda Regedor do Reino, D. João, Mestre de Avis, doou bens em Évora e seu termo, no ano de 1384, a Gomes Lourenço de Faria. Em 1431 foram le-gitimados pelo Rei, Rodrigo Aires de Faria e Guiomar de Faria, filhos de Aires Lourenço de Faria, morador em Portel, havidos de Catarina Lourenço, mulher solteira.

No ano de 1437 restituiu D. Duarte os bens situados no Ribatejo e no termo de Torres Vedras a Fernão Alvares de Faria, recebedor da Alfândega de Lisboa, que ele houvera em casa-mento com Leonor de Gorizo e que perdera por certo delito. Este Fernão Álvares já era recebedor da Alfândega em 1434. João Vaz de Faria, ou apenas João de Faria, foi escrivão, distribuidor e contador da Chancelaria da Correição do Algarve por mercê régia de 1439, e pai de Gil Anes de Faria, escudeiro do Infante D. Fernando, morador em Lagos, que sucedeu em 1456 nos ofícios paternos.

Mais antiga do que estes últimos houve ainda uma senhora, chamada D. Teresa Anes de Faria, D. Teresa de Faria ou D. Teresa da Agrela, que instituiu o morgado da Agrela, em Barcelos, entre 1355 e 1358, a qual parece ter morrido neste ano. Era mãe de D. Gonçalo de Faria, deão da Sé de Braga, também designado por D. Gonçalo Anes de Faria, falecido antes de sua mãe, e, conforme se supõe, irmã de Afonso Vicente, casado com Sancha Esteves, em cujos netos e na sua falta do "mais chegado da linhagem do dito Afonso Vicente", ela mandou nomear o vínculo que instituíra. Afonso Vicente e sua mu-lher houveram Fernão Afonso, abade de Fornelos, Nicolau Afonso, cónego da Sé de Braga, e Lourenço Afonso, cónego da Sé do Porto, todos administradores do morgado da Agrela; Domingos Anes, casado corn Andresa Esteves, dos quais nasceu uma filha chamada Marinha, e Martim Afonso, que teve de sua mulher a Bartolomeu Esteves.

São, como se vê, bastante nebulosos os princípios desta família, se bem que não faltem pessoas de distinção com o apelido, mas sem ligação conhecida entre si, o que permite, apenas, deduzir as gerações dos fins do século XIV. O ramo principal, pelo brilho que adquiriu, mas que não se sabe se representa a linhagem, é o do alcaide Nuno Gonçalves de Faria. A descendência deste herói é das mais ilustres, entrando o seu sangue nas principais famílias de Portugal.

O solar desta família é a freguesia de Faria, termo da vila de Barceios, no sopé do monte da Franqueira, em cujo cimo se ergueu o castelo de Faria. Embora a família tomasse o apelido desta freguesia de Santa Maria de Faria, talvez tivesse seu princípio na Quinta da Onega do Paço, situada no lugar de Espeses, na f reguesia de S. Romão de Milhazes, limítrofe de Faria.

João Rodrigues de Sá escreveu os seguintes versos dedicados aos Farias:

Oo pee duum castelo herguido,
por se nom ver abaixado,
jaz haum corpo espedaçado
em muytas partes parfydo
por nom ser duma apartado.

Faryee que nom farya
per onde a cavalaría
se perdesse erro nem tacha,
que nesta maneira sacha,
por guardar a que deuya

Esta linhagem também foi cantada por Manuel de Sousa da Silva, na quintilha:

Vem da terra de Faria
A geração singular
De que por náo entregar
O forte que defendia
Viu seu pai espedaçar.

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